31.07
- Mercado abre espaço para profissionais com mais de 50
(Administradores)
Antigamente, aposentadoria era tabu. A idéia de parar de trabalhar criava
a sensação de não sentir-se mais útil e ainda ser
excluído da sociedade. Isto apavorava a grande maioria dos profissionais
em fase de se aposentar. Mas os números mostram que isso está
mudando e o mercado de trabalho das grandes cidades brasileiras retoma o olhar
e a atenção aos profissionais com mais de 50 anos.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME), o grupo composto por trabalhadores
na faixa etária de 50 anos ou mais foi o que mais cresceu entre 2002
e 2006. A participação desse segmento passou de 15,4% em maio
de 2002 para 18,1% em maio deste ano. Neste grupo, a geração dos
que estão na casa dos 50 anos é a maioria - 72,6% têm até
59 anos de idade.
Segundo Gilberto Guimarães, diretor da consultoria francesa BPI no Brasil,
muitas empresas já estão implantando programas de incentivo e
apoio à aposentadoria, que além de ajudar o profissional na preparação
e no planejamento da sua segunda carreira, apóiam na concretização
deste projeto e ainda contam com apoio psicológico.
“Há 100 anos a expectativa de vida média das pessoas era
inferior a 50 anos. Hoje, mesmo no Brasil, as pessoas vivem em média
mais de 70 anos, segundo pesquisas recentes do IBGE. Isso significa que alguém
que se aposenta depois de 30 ou 35 anos de carreira, ainda terá mais
25 anos, pelo menos, de possibilidade de trabalhar e, portanto precisa planejar
o que vai fazer, finalmente fazendo o que gosta de fazer”, afirma Gilberto.
Neste novo contexto, a aposentadoria pode se transformar no momento certo para
colocar em prática os sonhos antigos, se dedicar a atividades que tragam
prazer e qualidade de vida, reconhecimento, mais que dinheiro, poder ou status.
É comum estas pessoas abrirem seu negócio próprio, virarem
consultores, "coacher", e até mesmo professores.
O Grupo BPI no Brasil oferece um programa de aposentadoria denominado Futuro
Planejado, que além dos aspectos de apoio à nova carreira, aborda
também aspectos de planejamento financeiro e, sobretudo, a saúde.
“O custo de planos de saúde é a grande preocupação
de quem se aposenta”, conclui Gilberto.
Gilberto Guimarães é diretor da multinacional francesa BPI no
Brasil, empresa que atua na área de consultoria em RH e reorientação
profissional especializada - outplacement - com mais de 200 escritórios
pelo mundo. Atua também como professor e consultor da Fundação
Getúlio Vargas, da GV Consult e do Ibmec. É engenheiro pela Escola
Politécnica da USP, com MBA pela FGV e cursos de especialização
no IMS – Alemanha. Tem experiência em processos de desenvolvimento
e reestruturação, planejamento estratégico e gestão
empresarial, tendo sido alto executivo dirigente em empresas de porte como Grupo
Saint Globain (Santa Marian, Brasilit) e Grupo Paramount-Lansul, além
de ser presidente do Instituto Amigos do Emprego, uma ONG que promove debates
e eventos sobre carreira e emprego.