29.05 - O poder de consumo da terceira idade
Gazeta Mercantil - Maria Luíza Filgueiras

Segmento gasta mais em alimentação, saúde e entretenimento e injeta R$ 150 bilhões por ano na economia. Longe da televisão e do crochê, os brasileiros com idade acima de 60 anos estão cada vez mais ativos e têm atraído a atenção do mercado de consumo. Não é para menos: mensalmente, são injetados na economia nacional cerca de R$ 12,2 bilhões (R$ 150 bilhões/ano) provenientes dos consumidores da terceira idade, segundo pesquisa da GFK Indicator. O segmento soma hoje cerca de 18,6 milhões de pessoas.

Os idosos têm um ganho médio mensal de R$ 778, contra R$ 724 no segmento de 18 a 39 anos de idade. Em 2000, representavam 22,6% da população economicamente ativa e, em 2004, esse percentual aumentou para 30,5%, somando 5,4 milhões de pessoas. Naquele ano, a renda média era de R$ 657, conforme o IBGE.

"Vale lembrar que 84% dos idosos têm renda própria", diz Susi Guedes, diretora da Susi Guedes Promoções e organizadora do Salão da Maturidade, evento que acontecerá de 29 de junho a 2 de julho, em São Paulo. O crescimento do evento, em sua segunda edição, reflete a demanda das empresas nacionais para oferecer seus produtos e serviços ao segmento. Em 2005, foram 36 expositores contra 52 este ano. O espaço de 1,5 mil m foi trocado pelo Centro São Luiz, com 2,4 mil m.

"Este ano poderemos fazer ações de divulgação que não pudemos no ano passado, com anúncios em outdoors e revistas especializadas. Serão R$ 50 mil mais parcerias para publicidade. O evento todo exige investimento de R$ 420 mil", diz Susi.

Em 2005, foram 7 mil visitantes em três dias de visita. "Como é comum na primeira edição, quando o evento é apresentado ao mercado, o 1º Salão não deu lucro, mas se pagou. Este ano temos mais participantes, num espaço dobrado e grandes patrocinadores." Entre os expositores, Clínica Spigolon, de tratamento odontológico, e Biodelta, academia de ginástica especializada em terceira idade, com aparelhos específicos para este público, projetados por fisioterapeutas.

A expectativa é que 10 mil pessoas participem do evento, que ganhou um dia a mais. "É importante funcionar também no domingo, pois é quando as pessoas podem fazer o programa em família ou quando o idoso tem alguém para levá-lo", diz a organizadora. "Os produtos são focados na terceira idade, mas a intenção é integrar gerações, mostrar aos filhos como as empresas estão agindo nesse segmento".

Aumento da renda

São as atuais gerações da terceira idade que começam a colher os frutos das aposentadorias programadas, resultando em aumento do poder aquisitivo. "Além disso, a renda é complementada com aluguéis de imóveis, o principal tipo de investimento que o idoso fez no passado para garantir seu futuro. E tem ainda os que recebem mesada dos filhos."

O maior poder de consumo passa também pela mudança cultural. "Minha avó não comprava roupas para ela com o dinheiro que tinha, pois achava desperdício já que não usaria por muito tempo. Assim, os gastos eram com os netos", comenta. "Mas a expectativa de vida aumentou, os idosos já tem casa própria e filhos formados e vêem que ainda têm muito a fazer por eles mesmos. É uma mudança importante de conceito".

Mesmo os idosos com menor poder de compra estão mais ativos: fazem ginástica na academia do Sesc, que é mais acessível, e freqüentam cinemas e teatros, onde pagam meia-entrada.

Segundo pesquisa da Credicard, essa faixa etária respondeu por 10,7% do valor das compras feitas com cartão de crédito no País em 2005, somando R$ 13,6 bilhões. Em comparação com os portadores que têm até 59 anos, a terceira idade concentra proporcionalmente mais compras com cartão de crédito nos ramos de alimentação, turismo e entretenimento e saúde. Para 2006, o estudo prevê que o número de cartões de crédito entre as pessoas de 60 anos ou mais crescerá 24%, acima do crescimento do mercado, estimado em 20,3%.

Ao final de 2005, as pessoas com 60 anos ou mais tinham em mãos 5,6 milhões de cartões de crédito, correspondentes a 8,4% do total em circulação no País (67 milhões ao final de 2005).

Quase a metade dos portadores com mais de 60 anos adquiriram seus cartões nos últimos cinco anos, ou seja, ingressaram no mercado após os 55 anos. Além disso, há uma significativa diferença no valor da transação média: em 2005, as pessoas com mais de 60 anos tiveram uma transação média de R$ 103, contra a transação média de R$ 79 das pessoas com até 59 anos.

No 2º Salão da Maturidade, participam o Santander Banespa (um dos patrocinadores) e o Banco Real. O Santander participa com o financiamento Olé, voltado para viagens. Já o Banco Real promove o concurso Talento da Maturidade.
"A terceira idade é a época do descanso e desfrute da vida. Para todo o sistema de serviços, seja financeiro, de viagens ou de saúde, é um segmento muito importante", diz Rafael Cardoso, superintendente de Empréstimo em Folha do Santander Banespa. "No Brasil, o direito a linhas de crédito para aposentados do INSS foi um importante passo de inclusão social."