28.04
- Brasileiro não se prepara para aposentadoria
Fonte: UOL NOTíCIAS
O HSBC anunciou, em âmbito mundial, os resultados do mais amplo estudo
global sobre envelhecimento, atitudes e expectativas em relação
à aposentadoria. Intitulada “O Futuro da Aposentadoria: O que o
mundo quer”, a pesquisa, realizada pela instituição em parceria
com a Oxford Institute of Ageing, Age Wave e Harris Interactive, abrangeu 20
países e territórios de cinco continentes. Foram entrevistadas
21 mil pessoas e 6 mil empregadores, amostragem que representa 62% da população
mundial. O trabalho apresenta dados e análises sobre temas relacionados
com três áreas fundamentais da vida: trabalho, dinheiro e planos
para o futuro.
Ao explicar as motivações que levaram a instituição
a promover esse estudo, Stephen Green, CEO mundial do grupo HSBC, comentou ser
do interesse do HSBC e da sociedade conhecer as atitudes e perspectivas das
pessoas e empregadores em relação à velhice para que se
organizem e possam moldar suas expectativas do futuro. “O estudo mostrou
que cresce em todo o mundo a consciência das limitações
práticas em relação ao que governos e empregadores podem
fazer para ajudar as pessoas no futuro e, assim, aumenta cada vez mais a responsabilidade
individual. Para atingir as nossas aspirações por um padrão
de vida na aposentadoria semelhante ao da vida de trabalho, precisamos planejar
com antecedência”, complementa Green.
O Brasil, um dos países incluídos na pesquisa, apresentou o maior
índice de preocupação com a falta de dinheiro na velhice:
76% dos entrevistados. Outro dado relevante é que 52% entendem que o
governo deveria ser a principal fonte de suporte financeiro nessa fase, mas
não acreditam que fará isso como deveria. Além disso, 69%
dos entrevistados se preocupam também com a possibilidade de se tornarem
dependentes de parentes nesse período. Apesar desse receio, apenas 6%
dos brasileiros entrevistados afirmaram ter investido algum recurso especificamente
para aposentadoria no ano passado.
Outros dados:
• 30% das pessoas acham que elas mesmas devem arcar com a maior parte
dos custos financeiros de sua aposentadoria.
• 4% acham que os custos devem ficar por conta de seu empregador.
• 13% acham que seus filhos ou sua família devem arcar com os custos.
• 52% pensam que o governo deveria arcar com a maior parte dos custos
financeiros de seu sustento na aposentadoria.
• 33% acreditam que o governo de fato arcará com esses custos.
• O intervalo de confiança é, portanto, de 19%.
Uma das razões da idéia crescente de que as pessoas devem arcar
com a maioria dos custos financeiros de sua própria aposentadoria é
o intervalo de confiança entre os que acham que os governos deveriam
e que os acreditam que os governos irão arcar com esses custos. Os indivíduos
esperam poder contar com suas famílias quando chegarem à velhice,
mesmo que não esperem que esta arque com a maior parte dos custos financeiros
de sustentá-los quando estiverem aposentados.
• Apenas 35% prevêem viver com seus filhos quando chegarem à
velhice
• 57% esperam que seus filhos cuidem deles
• 24% esperam que seus filhos ajudem a pagar suas despesas de vida, e
• 35% esperam que seus filhos ajudem a pagar suas despesas médicas.
Os brasileiros rejeitam os mecanismos usuais por meio dos quais os governos
podem sustentar as pessoas na aposentadoria. Quando lhes é apresentada
a opção entre impostos mais altos, aposentadorias menores, trabalhar
por mais anos e poupança compulsória (sob a forma de poupanças
privadas adicionais obrigatórias), os resultados são:
• 53% escolhem a poupança compulsória para ajudar na aposentadoria
• 13% optam pelo aumento da idade mínima para a aposentadoria
• 3% optam pelo aumento dos impostos, e
• 8% escolhem a redução do valor das aposentadorias.
De maneira global, o estudo promovido pelo HSBC comprova mais uma vez a premissa
de que o grau de envelhecimento da população mundial é
acelerado. As economias em desenvolvimento como América Latina, Europa
Oriental, Ásia, Oriente Médio e África estão na
liderança desse processo. Essas regiões já abrigam dois
terços das pessoas mais idosas do mundo. A estimativa média de
vida da população também aumentou paulatinamente nos últimos
anos e, conseqüentemente, o estudo global detectou algumas mudanças
de atitude da população dessas regiões, que seguem as tendências
das economias adiantadas – América do Norte e Europa Ocidental
-, ao adotar novas formas de aposentadoria.
Gerações sucessivas estão vivendo por mais tempo, aposentando-se
mais cedo e tendo expectativa de melhor padrão de vida na aposentadoria.
Tudo isso faz com que a garantia de segurança financeira na aposentadoria
seja um desafio cada vez maior, quer se tratem dos sistemas de aposentadoria
públicos, dos planos de aposentadoria privados ou do apoio dado pela
família.
A exemplo do que se verificou no Brasil, o estudo do HSBC aponta que nos demais
países pesquisados as pessoas também percebem as limitações
práticas quanto ao que os governos e empregadores podem fazer para sustentá-las,
prevendo, assim, que os governos não serão sua única fonte
de apoio financeiro na velhice.
Outros resultados globais
• As pessoas querem pagar por sua aposentadoria por meio de poupança
adicional imposta pelo governo, em vez de pagar mais impostos ou receber pensões
menores.
• Enquanto tiverem saúde e forem capazes, as pessoas desejam cada
vez mais ter alguma atividade durante sua aposentadoria, em vez de apenas descansar.
• A maioria esmagadora das pessoas rejeita a aposentadoria compulsória
por idade.
• À medida que envelhecem, cada vez mais pessoas exigem condições
de trabalho flexíveis.
•Os empregadores acham que os empregados devem continuar trabalhando independentemente
da idade, desde que sejam capazes de fazer um bom trabalho.
• Os empregadores dizem que os trabalhadores mais idosos são tão
produtivos quanto os mais jovens.
• Poucos empregadores, grandes ou pequenos, estão realmente preparados
para a escassez global de aptidões que se aproxima, causada pelo envelhecimento
da população.
Em 2005, o HSBC publicou os resultados de seu primeiro estudo global, O Futuro
da Aposentadoria em um Mundo de Expectativa de Vida Crescente. Esse estudo abrangeu
11 mil adultos em dez países e territórios de quatro continentes.
O relatório deste ano, O Futuro da Aposentadoria: O que o mundo quer,
foi uma realização do HSBC em colaboração com três
organizações. A autoria do relatório é do Oxford
Institute of Ageing, integrante da Oxford University. A consultoria principal
foi da Age Wave, dirigida pelo gerontologista Dr. Ken Dychtwald, Consultor Especial
do HSBC sobre Envelhecimento Global, e o trabalho de campo global foi empreendido
pela Harris Interactive. O alcance e a natureza desse estudo fazem dele o maior
jamais realizado no gênero, segundo o banco.