25.07
- Terceira idade ganha espaço
Fonte: O ESTADO DE SãO PAULO
Apenas aparentemente é mais difícil, para trabalhadores com
mais de 50 anos, manter um emprego com renda razoável. Um estudo do
IBGE divulgado na quinta-feira mostra que, em maio de 2006, os trabalhadores
nessa faixa de idade representavam 18,1% da população ocupada
nas seis principais regiões metropolitanas (ante 15,4% em maio de 2002)
e auferiam renda média mais alta do que a do conjunto de trabalhadores.
O contingente de trabalhadores com 50 anos ou mais atingiu 3,6 milhões
de pessoas. Comparando com maio de 2002, a participação desses
trabalhadores no total de pessoas em idade ativa aumentou de 22,4% para 25,3%.
Segundo o IBGE, isto se explica, em parte, pelo envelhecimento médio
da população. Por exemplo, o fator previdenciário contribuiu
para retardar aposentadorias.
Mas há algumas constatações mais relevantes: nada menos
de 32,7% dos maiores de 50 anos trabalham por conta própria, ante 19,1%
do conjunto da população. Predominam, assim, profissionais liberais,
prestadores de serviços ou aposentados que complementam sua renda com
uma nova atividade.
A renda mensal desses trabalhadores (R$ 1.401,36) supera em 36,3% a renda
média do conjunto dos pesquisados. Isto também se explica porque
é crescente o peso dos trabalhadores mais velhos no funcionalismo.
Militares e funcionários públicos em geral ganhavam, em média,
R$ 2.276,40 em maio, elevando a média do conjunto. Além disso,
“os trabalhadores com mais escolaridade, como profissionais liberais,
ganham mais com a idade”, observou uma economista do Ipea.
O estudo confirma a importância dos trabalhadores mais velhos para o
ritmo do consumo e da atividade econômica, já demonstrada na
Previdência Social, onde há 24 milhões de aposentados,
em geral por idade ou tempo de contribuição.
Mas o envelhecimento da população empregada apresenta problemas.
Os jovens enfrentam enorme dificuldade para se empregar. Nos últimos
quatro anos, o número de empregados com idade entre 18 e 24 anos cresceu
apenas 0,64%, ante a média de crescimento do total de empregados de
13,9% e de 33,9% dos trabalhadores com mais de 50 anos. A baixa qualidade
da educação contribui para isso. “O jovem tem que se preparar
mais para entrar no mercado e enfrenta mais dificuldade para se colocar”,
observou uma analista do IBGE, Maria Lúcia Vieira.