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Secretaria de Previdência Complementar (SPC) do Ministério da Previdência
tem um novo titular a partir da próxima terça-feira. Sai Adacir
Reis, entra Leonardo André Paixão, até então secretário
adjunto. A troca no comando do órgão que regula e fiscaliza os
fundos de pensão estava acertada com o ministro da Previdência,
Nelson Machado, desde 26 de abril, quando Adacir apresentou seu pedido de demissão
em caráter irrevogável. O ministro pediu então que ele
permanecesse pelo menos até o início de junho.
Adacir comandava a SPC desde o início do atual governo. Escolhido pelo
deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) - primeiro a ocupar o posto de ministro
da pasta na gestão Lula -, Adacir sobreviveu à entrega do comando
do ministério ao PMDB, um tanto a contragosto do então novo ministro,
senador Amir Lando (PMDB-RO), graças a sua fama de técnico altamente
preparado para a função perante o mercado e o Palácio do
Planalto, que exigiu sua permanência. Com os sucessores de Lando - o senador
Romero Jucá (PMDB-RR) e Nelson Machado, um ministro técnico -,
Adacir se entendeu melhor.
Uma ampla reforma, que envolveu principalmente medidas infralegais, foi feita
no sistema de previdência privada complementar brasileiro sob a batuta
de Adacir Reis. Um exemplo foi o disciplinamento da portabilidade de recursos
aplicados em fundos de pensão, o que permitiu aos participantes optar
por novos administradores sem ter que pagar o imposto nos resgates. O foco da
fiscalização e das regras prudenciais de gerenciamento e distribuição
de riscos, que antes recaía mais sobre as entidades, passou a recair
mais especificamente sobre os planos de benefícios. Para tanto, um Cadastro
Nacional de Plano de Benefícios foi criado na gestão de Adacir.
Também foi criado novo regime repressivo a irregularidades, mais rigoroso
e com foco sobre as pessoas físicas dos dirigentes dos fundos e não
sobre as entidades. Também foi na gestão de Adacir a criação
de um sistema de supervisão indireta, que facilitou e tornou mais eficiente
a fiscalização. Para tanto, ele promoveu uma série de parcerias
com diversas instâncias de controle de operações do mercado
financeiro e de capitais (Bolsa de Valores Cetip, etc). Mas também sofreu
derrotas. A maior foi a derrubada, pelo Congresso, da MP que transformava a
SPC numa autarquia, com mais estrutura, mais gente e mais independência
operacional em relação ao governo.