Apesar
de ainda não existirem estatísticas sobre a concessão de
crédito após a criação do teto, o presidente da
Associação Brasileira de Bancos (ABBC), João Rabêllo
Filho, não acredita que o volume de empréstimos tenha caído.
Segundo ele, é natural que neste início, os bancos acabem convergindo
para taxas próximas do teto. “É como acontece com o limite
de velocidade de uma estrada, todo mundo passa a dirigir perto dele”,
afirma. Segundo ele, a taxa média ponderada, que leva em consideração
os volumes de empréstimos feitos por banco, caiu de 3,14% ao mês
para 2,70%. “Significa dizer que os juros ao longo de um ano caíram
de 45,9% para 36,7%. É um ganho considerável”, defende.
No entanto, Rabêllo Filho acredita que poderá haver mudanças
nas operações de curto prazo (até 12 meses) e de baixo
valor (até R$ 700). “Já há bancos estudando a viabilidade
dessas operações, que podem não ser vantajosas”,
explica. Segundo ele, isso ocorre porque, quanto menor a operação,
maiores são os custos operacionais dos bancos. O executivo também
acredita que os bancos poderão adotar taxas diferenciadas para cada região
do país. “Onde a penetração dos bancos é menor,
pode haver juros mais altos”, afirma.
Por telefone
Para
reduzir os custos e segurar as taxas, a ABBC defende a possibilidade de o empréstimo
ser creditado no cartão previdenciário. O recurso evitaria a exigência
de ordem de pagamento, o que onera a operação. Outra reivindicação
do setor é a volta da permissão para que os empréstimos
possam ser contratados por telefone, o que também reduziria o custo.
Esta proposta, no entanto, não é bem vista pelo governo, que teme
a proliferação de fraudes.
O mercado é bilionário. Desde maio de 2004, mais de 5,4 milhões
de aposentados e pensionistas pegaram um volume de empréstimos que gira
em torno dos R$ 13,7 bilhões. O presidente da Confederação
Brasileira dos Aposentados (Cobap), Hermélio Soares Campos, reconhece
que o teto de 2,90%, apesar de barrar a prática de juros abusivos, pode
prejudicar um pouco os aposentados.
Procurado pela reportagem, o INSS não se manifestou sobre o assunto.
Na semana passada, o ministro da Previdência Social, Nelson Machado, disse
que ainda é cedo para avaliar o comportamento do mercado de crédito
consignado após a imposição do teto de 2,90%, adotada desde
1º de junho.
Cartão de crédito
Os bancos conveniados com o INSS poderão voltar a oferecer aos aposentados e pensionistas um cartão de crédito consignado. Suspensas desde novembro de 2005, as operações com o cartão passarão a ser permitidas a partir desta segunda-feira, quando o INSS deverá publicar uma instrução normativa no Diário Oficial da União. O limite mensal de comprometimento da renda com o cartão será de 10% do valor líquido da aposentadoria ou pensão. O cartão é livre de qualquer taxa ou anuidade.