11.08
- Lula assina MP que dá 5% de reajuste a aposentados
Fonte: O ESTADO DE SãO PAULO
Ministro interino da Previdência, Carlos Gabas, dará entrevista
hoje em São Paulo para explicar qual foi a alternativa encontrada pelo
governo
O Diário Oficial da União de hoje deve trazer medida provisória
assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir a continuidade
do reajuste de 5% aos aposentados e pensionistas do INSS que recebem benefício
superior a um salário mínimo. A informação foi confirmada
ontem à noite pela assessoria do Palácio do Planalto, depois que
o presidente, em entrevista à Globo News, admitiu que assinaria a medida.
A assessoria do Planalto não informou o conteúdo exato da MP.
"Hoje (ontem), quando terminar o programa, tenho de assinar uma medida
provisória, garantindo aos aposentados o reajuste que eu tinha dado.
Por um ato impensado de alguns deputados e senadores, os aposentados estão,
neste momento, correndo o risco de não ter esse reajuste, acordado com
as centrais sindicais", disse Lula, na entrevista.
A garantia de que o governo iria assegurar o reajuste, que vem sendo pago desde
maio, havia sido dada, pela manhã, pelo ministro interino da Previdência,
Carlos Eduardo Gabas, a representantes de aposentados e pensionistas com quem
se reuniu no ministério. "Os 5% serão dados, conforme acordo
firmado", afirmou.
Os pensionistas e aposentados do INSS foram chamados ao ministério para
tomar conhecimento das saídas que o governo estava examinando para contornar
o problema criado com o fim da validade da medida provisória. O prazo
de vigência da MP terminou à meia-noite de ontem, sem que ela tivesse
sido votada pelo Congresso.
Gabas disse que havia três hipóteses para restabelecer o reajuste
em exame pela Casa Civil da Presidência: um decreto fixando os 5%; um
decreto com o reajuste pela inflação de 3,14% dos 12 meses anteriores,
associada a uma nova MP contemplando um porcentual adicional para se chegar
aos 5%; ou uma uma nova MP fixando um índice bem próximo dos 5%.
A simples reedição da medida original, nos mesmos termos, é
vedada pela Constituição. Hoje, o ministro interino dará
entrevista em São Paulo, para explicar qual foi a saída encontrada.
Questionado sobre a demora do governo em resolver a questão, Gabas explicou
que o Executivo tinha que esperar o que o prazo da MP vencesse para adotar uma
decisão. "Antes disso seria um desrespeito ao Congresso", justificou.
Ele criticou os parlamentares. Disse que há, claramente, uma disputa
eleitoreira e classificou a oposição de "irresponsável"
ao propor para as aposentadorias e pensões acima do mínimo o mesmo
reajuste do piso salarial do País, ou seja, 16,67%.