10.08
- Governo estuda como garantir 5% a aposentado
Fonte: O ESTADO DE SãO PAULO / VâNIA CRISTINO
Alternativas serão discutidas hoje, quando termina a validade da MP 291
que estabeleceu o aumento, mas não foi votada pelo Congresso.
O Palácio do Planalto ainda avalia uma forma legal de garantir o reajuste
de 5% para aposentados e pensionistas do INSS que recebem benefício mensal
acima de um salário mínimo, que vem sendo pago desde maio. Como
a Medida Provisória 291, que estabeleceu o aumento, não foi votada
pelo Congresso e sua validade termina hoje, o governo precisa encontrar uma
maneira de assegurar o reajuste prometido pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva a entidades sindicais.
As alternativas serão apresentadas na manhã de hoje em uma reunião
convocada pelo Ministério da Previdência Social com os representantes
dos aposentados e pensionistas. Na semana passada, o líder do PT na Câmara,
deputado Henrique Fontana (RS), disse que o governo poderia baixar um decreto
com reajuste de 3,14% - correspondentes à variação do INPC
entre maio do ano passado e maio último - e uma nova medida provisória
estipulando um aumento real, de maneira que o total ficasse em 5%. Os técnicos
da Previdência defendem essa proposta.
Ontem, Fontana reafirmou que aposentados e pensionistas não precisam
se preocupar porque o governo vai manter o reajuste prometido. "Ainda não
sei qual a forma, se por MP ou decreto, mas o governo não vai deixar
os segurados sem os 5%", disse Fontana. Ele lembrou que o aumento resultou
de um acordo com os aposentados. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
também garantiu que o compromisso será mantido.
O problema surgiu porque a MP 291 está parada na Câmara, já
que a própria base de apoio ao governo obstruiu a votação
depois que a oposição incluiu no texto um aumento de 16,67% -
o mesmo concedido ao salário mínimo - que o governo diz não
ter condições de bancar. Como a Constituição proíbe
a reedição de medidas provisórias não referendadas
pelo Congresso, se o governo optar por uma nova MP, ela terá de ter uma
redação diferente da original.
Técnicos da Casa Civil estudam ainda a possibilidade de editar uma medida
provisória com valor um pouco menor ou maior que 5%. Paulo Bernardo disse
que a legislação em vigor permite que o governo, ou por decreto
do presidente, ou portaria do Ministério da Previdência Social,
conceda o reajuste equivalente ao INPC do período, de 3,14%. Qualquer
porcentual acima disso, no entanto, exigiria um projeto de lei ou uma nova MP.