08.05 - Fundos de pensão têm forte ganho
Fonte: VALOR ECONOMICO / CATHERINE VIEIRA

Com o bom desempenho da bolsa e ajuda extra do apetite dos estrangeiros por títulos públicos longos, após o benefício concedido pelo governo, boa parte dos fundos de pensão conseguiu obter, no primeiro trimestre deste ano, rentabilidades bem acima das metas atuariais e que superam até mesmo a variação do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que foi de 4% no período. Fundações como a Valia, Eletros, Real Grandeza, Previ e Funcef alcançaram ganhos entre 5,5% e 7,5%. As metas atuariais, geralmente fixadas por INPC ou IPC + 6%, ficaram em torno de 2,4% no trimestre.

Nos três primeiros meses do ano, os principais índices da bolsa local subiram cerca de 13,5% e o IMA-B5, índice da Andima que mede a variação dos títulos de longo prazo, também registrou alta de 13,1%. Esses dois fatores deram fôlego extra para fundos, principalmente os que possuem uma parcela um pouco maior alocada em renda variável. A Previ, que tem mais da metade da carteira nesse segmento, alcançou rendimento de 7,2% até março, o que engordou o superávit em R$ 3,9 bilhões no primeiro trimestre.

A Fundação Real Grandeza, fundo de pensão de Furnas, também alcançou ganho significativo, de 7,52%, entre janeiro e março, de acordo com o presidente do fundo Sérgio Wilson Fontes. "Somente a carteira de ações teve rendimento de 12,4%", explicou ele. O fundo, que sofreu perdas de R$ 153 milhões com investimentos no Banco Santos, vem passando por uma reformulação grande desde o ano passado. "Restringimos muito a política de investimentos em CDBs e estamos fazendo uma ampla reformulação do comitê de investimentos, com membros independentes e reuniões mensais", diz Fontes. A Real Grandeza também está fazendo uma análise minuciosa da carteira de renda variável para ver se está adequada às necessidades dos planos.

Outro fundo que obteve bons ganhos com ações foi a Valia, dos funcionários da Cia. Vale do Rio Doce. O diretor financeiro, Manoel Cordeiro, explica que o ganho com renda variável, que foi de 10% no primeiro trimestre, ajudou o fundo a superar com folga a meta atuarial. "Nosso ganho médio ficou em 5,9%, enquanto a meta variou 2,36%", diz Cordeiro. "Com esse desempenho, ganhamos nova sobra de R$ 267 milhões, o que elevou nosso superávit acumulado para R$ 2,2 bilhões", diz o diretor da Valia, cujo patrimônio está em cerca de R$ 7,5 bilhões.

Segundo Guilherme Lacerda, presidente da Funcef, fundo de pensão da Caixa, não foi apenas a bolsa que ajudou a performance das carteiras. "Os fundos de pensão, por conta de seu perfil e suas necessidades de longo prazo, possuem muitos títulos públicos de longo prazo em carteira", explica Lacerda. "Com os benefícios dados aos investidores estrangeiros, o apetite por esses títulos foi muito grande em fevereiro, beneficiando quem já tinha os papéis em carteira, como é o nosso caso", acrescenta. Segundo o dirigente, a carteira da Funcef rendeu 5,6% no primeiro trimestre, o que significou um resultado financeiro de R$ 675 milhões acima da meta atuarial, que era de 2,4%. Segundo Lacerda, como a carteira de ações é composta por muitas participações em bloco e que não acompanham as variações das cotações em bolsa, a carteira da fundação não foi tão sensível ao movimento do mercado de ações. O patrimônio da Funcef está em cerca de R$ 22 bilhões.

Também a Eletros, fundo dos funcionários da Eletrobrás, atingiu ganhos bem acima dos objetivos, com variação de 5,8% da carteira entre janeiro e março. O gerente de risco do fundo, Jair Ribeiro, está preocupado, no entanto, se a bolsa vai manter os atuais patamares. Se isso não ocorrer, ao longo do ano os resultados gerais do setor podem se reduzir.

O presidente da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Fernando Pimentel, diz que os fundos aproveitaram os períodos de sobra de caixa para ajustar as contas. "Alguns fundos, que ainda não tinham feito a atualização da tábua atuarial (que estima a longevidade dos participantes), estão aproveitando o bom momento para fazer isso", diz Pimentel.