04.08 - Nova MP sobre reajuste
Jornal de Brasília

Governo editará outra medida provisória para aumentar em 5% proventos dos segurados que ganham acima de um salário mínimo

O governo vai editar uma nova medida provisória concedendo o reajuste de 5% para as aposentadorias de valor superior a um salário mínimo pagas pela Previdência Social, informou quarta-feira o líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS).

Esta foi a saída encontrada pelo governo, já que há dificuldade para votação, na Câmara, da MP que já está em vigor com o mesmo índice de reajuste. Com isso, a MP não será votada na Câmara e perderá a validade no próximo dia 10.

Segundo o líder petista, a MP não reproduzirá o mesmo texto da atual. Haverá um desmembramento de dispositivos, especificando a correção monetária de 3,14% e definindo um ganho real. "Todos estão seguros de que não haverá problemas jurídicos com a MP", afirmou.

Além disso, Fontana duvida que algum partido, mesmo de oposição, recorra ao Supremo Tribunal Federal contra uma medida provisória que dará um benefício aos aposentados. Ele acredita que haverá desgaste político para quem impedir na Justiça o pagamento do aumento de 5% nos benefícios. A legislação proíbe a reedição de MPs.

Disputa

Uma disputa política entre governo e oposição tem impedido a votação da MP. O PFL insiste em votar a proposta de reajuste de 16,67% para as aposentadorias e, como o governo não tem votos para manter a MP original que concede os 5%, o PT tem obstruído as votações desde o dia 7 de junho. O líder do PT acredita que, em outubro, após as eleições, a nova MP poderá ser votada. "Depois das eleições, os ânimos estarão serenados para a votação."

A aprovação de um índice maior de reajuste obrigaria o presidente Lula a vetar a alteração, assumindo um desgaste com os aposentados em véspera de eleição.