Governo
editará outra medida provisória para aumentar em 5% proventos
dos segurados que ganham acima de um salário mínimo
O governo vai editar uma nova medida provisória concedendo o reajuste
de 5% para as aposentadorias de valor superior a um salário mínimo
pagas pela Previdência Social, informou quarta-feira o líder do
PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS).
Esta foi a saída encontrada pelo governo, já que há dificuldade
para votação, na Câmara, da MP que já está
em vigor com o mesmo índice de reajuste. Com isso, a MP não será
votada na Câmara e perderá a validade no próximo dia 10.
Segundo o líder petista, a MP não reproduzirá o mesmo texto
da atual. Haverá um desmembramento de dispositivos, especificando a correção
monetária de 3,14% e definindo um ganho real. "Todos estão
seguros de que não haverá problemas jurídicos com a MP",
afirmou.
Além disso, Fontana duvida que algum partido, mesmo de oposição,
recorra ao Supremo Tribunal Federal contra uma medida provisória que
dará um benefício aos aposentados. Ele acredita que haverá
desgaste político para quem impedir na Justiça o pagamento do
aumento de 5% nos benefícios. A legislação proíbe
a reedição de MPs.
Disputa
Uma disputa política entre governo e oposição tem impedido
a votação da MP. O PFL insiste em votar a proposta de reajuste
de 16,67% para as aposentadorias e, como o governo não tem votos para
manter a MP original que concede os 5%, o PT tem obstruído as votações
desde o dia 7 de junho. O líder do PT acredita que, em outubro, após
as eleições, a nova MP poderá ser votada. "Depois
das eleições, os ânimos estarão serenados para a
votação."
A aprovação de um índice maior de reajuste obrigaria o
presidente Lula a vetar a alteração, assumindo um desgaste com
os aposentados em véspera de eleição.