03.08
- Mais fiscalização em fundos de pensão
Fonte: JORNAL O GLOBO / GERALDA DOCA
O governo enviará nas próximas semanas, ao Congresso, o projeto
de lei para transformar a Secretaria de Previdência Complementar (SPC)
em agência reguladora.
Braço do Ministério da Previdência que fiscaliza os fundos
de pensão fechados — os oferecidos por empresas privadas e estatais
a seus funcionários — a SPC hoje não tem a independência
política e administrativa dos demais xerifes setoriais, como as agências
de Telecomunicações (Anatel) e Energia Elétrica (Aneel).
Se o projeto for aprovado, a SPC será substituída pela Superintendência
Nacional de Previdência Complementar (Previc).
Os planos de previdência abertos, oferecidos pelos bancos, continuarão
com a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Sob a fiscalização
da SPC estão hoje R$ 310 bilhões em patrimônio dos fundos
fechados, incluídos os maiores investidores institucionais do país,
como Previ (do Banco do Brasil) e Petros (da Petrobras).
Mesmo com o Congresso praticamente parado, devido às eleições,
o governo quer dar início às discussões do projeto.
Como autarquia, a Previc terá orçamento e quadro próprios.
Os dirigentes terão mandato fixo e estabilidade na função.
Para o secretário de Previdência Complementar, Leonardo André
Paixão, a CPI do Mensalão — que investigou denúncias
de ingerência do PT nos fundos de pensão das estatais — cometeu
“injustiças e imprecisões”. Mas ele reconheceu que
a CPI deu contribuições importantes, como a necessidade de melhorar
a fiscalização, que serão usadas no projeto da Previc.
Segundo Paixão, a SPC quer alterar o limite de 15% do valor das contribuições
arrecadadas a ser usado com despesas administrativas. A idéia é
fixar percentuais de acordo com o perfil dos planos: maduro (com poucas contribuições)
ou novo (que ainda não paga benefícios).