Por
conta do aumento da longevidade, o Conselho de Gestão da Previdência
Complementar (CGPC) aprovou uma resolução que eleva a tábua
biométrica (também chamada de tábua atuarial ou de mortalidade)
mínima a ser adotada pelos fundos de pensão. Antes, as regras
exigiam que a premissa mínima adotada fosse a tábua AT-49, que
prevê uma sobrevida de 18,5 anos para aqueles que chegam aos 60 anos.
Com a nova regra, será preciso adotar, pelo menos, a AT-83, cuja sobrevida
prevista acima dos 60 anos é de 22,5 anos. Os fundos terão até
2008 para se adequar à nova regra.
Segundo o secretário de Previdência Complementar, Adacir Reis,
os planos das empresas patrocinadoras da esfera federal fizeram nos últimos
anos uma grande rodada de atualização dessas premissas. "Na
esfera federal, praticamente todos se ajustaram, mas, na esfera estadual e nos
fundos do setor privado, ainda há casos de fundações que
utilizam a AT-49", diz Reis. Ele lembra que a regra não significa
que um fundo deva adotar a AT 83 e sim que este é o conservadorismo mínimo
exigido. "É de responsabilidade do fundo e de seus administradores
estudar a tábua que seja a mais adequada às suas necessidades
e nada impede que esta estime longevidade ainda maior que a da AT-83 (como a
AT-2000, por exemplo)", explica Reis.
Segundo o secretário, a nova resolução que trata das questões
atuariais especifica a responsabilidade dos administradores do plano, do atuário
responsável e também da patrocinadora, caso as premissas não
estejam adequadas. "Um diretor deverá ser definido como o responsável
por esse assunto e a patrocinadora deverá encaminhar por escrito documentos
nos quais informa a rotatividade e a política salarial previstas",
explica Reis. Quando o fundo não prevê corretamente a real longevidade,
a taxa de rotatividade, os índices de inflação (que deverão
reger reajustes) e a taxa de juro atuarial, os números podem indicar
que existe uma tranqüilidade nas contas que, na verdade, está sendo
amenizada por premissas desatualizadas. Isso pode gerar problemas para honrar
benefícios no futuro.
Um exemplo da diferença que premissas desatualizadas geram na contabilidade
é o que ocorreu recentemente na Petros. Em 2004, o fundo atualizou os
parâmetros adotados, de acordo com o perfil atual do plano. As estimativas
antigas, trabalhavam, por exemplo, com uma expectativa de 649 mortes de aposentados
por ano, enquanto a média de fato já era de apenas 410 óbitos.
Após a atualização dos parâmetros, verificou-se um
déficit atuarial de R$ 5,2 bilhões, na época, que agora
passou a ser abatido. Ou seja, se as projeções não fossem
revistas, a fundação poderia ter um passivo 'invisível'
e enfrentar problemas no futuro.
O secretário explica que as regras da nova resolução demonstram
a preocupação da SPC com a constante mitigação de
riscos nos passivos das fundações. Com relação aos
ativos, ou seja, a carteira de investimentos, a SPC também adotou novas
medidas. Ofício circular assinado esta semana estipula que os dirigentes
de fundos solicitem registros em câmara de custódia e liquidação
dos fundos nos quais investem. "Fizemos convênios com a Cetip, Selic,
BM&F e CBLC", diz o secretário, explicando que agora as informações
serão enviadas diretamente das 'clearings' para o sistema de controle
da secretaria.